12.08 14h55

Os 10 passos para inovação de Guy Kawasaki

Guy Kawasaki poderia ser o investidor em novas empresas com o perfil padrão, engravatado e polido. Que nada: de camisa colorida e com as mangas de fora, ele falou na manhã de quarta-feira em São Paulo sobre os dez passos (na verdade, onze) de como criar algo inovador (uma empresa, um serviço) nos dias atuais – tema ligado ao projeto Life’s Good Lab, da LG.

“Grande parte dos CEOs de empresas são uma porcaria como palestrantes. E eles falam demais, por muito tempo, o que é uma combinação ruim”, afirmou. “Por isso, então, os 10 pontos sobre inovação” – que ele discorreu em uma hora, cheio de exemplos e citações.

“Fazer sentido no mundo é o primeiro ponto”, explica Kawasaki. “Não adianta contratar um monte de gente com MBA só pelo dinheiro. Tem que pensar que seu projeto deve melhorar o mundo também”. Não falou da Apple (onde trabalhou nos anos 90), mas citou a Nike como um bom exemplo nisso.

“O segundo ponto é tenha um mantra. Não é a missão da empresa. Nos Estados Unidos, companhias reúnem 60 pessoas por dois dias num hotel com campo de golfe e praia. Chamam alguém de fora pra conduzir a reunião, provando que não têm nenhum executivo líder, e cada um fala uma palavra. Logo, a missão tem 60 palavras, gerando algo muito longo e pouco útil”. Um bom mantra corporativo, na visão de Kawasaki, tem duas ou três palavras no máximo.

O terceiro ponto é “ficar além da curva”. Sua empresa tem que pensar além e inovar de tal modo para ficar à frente da concorrência. “Não é 10% ou 15% melhor, é dez vezes melhor. Um exemplo é a migração das impressoras matriciais para as laser. Ou as fábricas de gelo: primeiro removiam o gelo pronto, o gelo 2.0 surgiu com as fábricas de gelo, sendo substituído pela geladeira doméstica. A inovação real surge quando você pula para o próximo estágio sem medo”, disse Kawasaki. “Fazer apostas, jogar os dados,  é algo importante. Uma fabricante de sandálias, a Reef, lançou um chinelo com abridor de latas no solado. É uma grande ideia, assim como uma TV que vem com conexões sem fio. Grandes produtos são elegantes, profundos e completos”, afirmou.

Para tanto, nem todo mundo é perfeito. O quinto item da lista de Kawasaki é “não se preocupe, faça errado”. Na prática, ele quer dizer que alguma coisa errada pode acontecer com seu produto. “A primeira impressora laser era lenta e fazia uma página por vez. Revolucionária, mas uma porcaria. O primeiro Mac, com 128 k de RAM, sem software e sem disco rígido, era uma porcaria revolucionária”. Isso leva ao sexto ponto, que é o florescimento do seu produto. “Ao lançar qualquer coisa, você vai perceber que as pessoas usam seu produto de modos que você nunca imaginou. E gente errada o compra em grandes quantidades. A primeira coisa a fazer é tirar o dinheiro delas”, afirmou o investidor. “O Mac não tinha editor de texto, de planilha nem banco de dados. Mas a editoração eletrônica, que estava nascendo na mesma época, salvou a Apple”.

O sétimo item é um dos mais polêmicos: polarize as pessoas. “É como um carro feio da Toyota, o Scion. Foi feito para jovens esportistas, mas acaba sendo vendido para sexagenários em busca da juventude perdida. Não tem que irritar as pessoas intencionalmente, mas é bom criar uma relação de amor e ódio sobre o que você faz”. O oitavo ponto fala para “engrenar um modo de negação e não ouvir ninguém quando cria algo, mas após lançá-lo começar a corrigir sua inovação”, e o nono pede para criar nichos para seu mercado – é aí que você vai ganhar dinheiro numa relação de valor versus algo único. “Se não é único não tem valor”, disse. “Exemplos são um serviço de compra de ingressos de cinema com antecedência, uma TV fina e sem fios, um relógio que pode salvar sua vida ao chamar a emergência se você se perder no mato e até mesmo um carro que estaciona perpendicularmente à rua”, afirmou.

O décimo ponto de Kawasaki é direto ao ponto contra os enroladores do PowerPoint: é a regra do 10-20-30. Uma apresentação deve ter no máximo 10 slides, para ser mostrada em no máximo 20 minutos e sempre feita com fonte tamanho 30. “Uma regrinha é observar quem é o mais velho na platéia e dividir sua idade por dois. Deve dar 30, na média”.

Kawasaki fechou sua palestra com o décimo primeiro item da sua lista: não deixe os “bozos” te derrubarem. O que ele quis dizer aqui é que sempre vai ter alguém com uma ideia pessimista, do mal ou simplesmente do contra. “Existem dois tipos de bozos: o gordo ensebado, que não é perigoso, e o que se veste de preto, rico, famoso, esperto. Pena que 50% das vezes é apenas sorte, não esperteza”. Ele mesmo admite já ter agido como um “bozo” na sua carreira: recebeu um convite para o processo de seleção do CEO do Yahoo!. Não foi porque era longe e ele tinha acabado de ter o primeiro filho. “E se eu tivesse ido à entrevista? Não me irrita ter perdido 1 bilhão de dólares. O segundo bilhão é que me deixa doido da vida. Eu fui um bozo, vinha do mercado de hardware e não consegui entender a internet, não vi a próxima curva”, concluiu.

Henrique Martin

Formado pela PUC-SP, tem 10 anos de experiência com comunicação e internet. Cobre a área de tecnologia desde 1999, quando era repórter na Folha de S.Paulo. Desde então, passou por inúmeros veículos como PC Magazine (onde foi editor-executivo e editor-chefe), Macworld Brasil, PC World, The Industry Standard e Folha Online, entre outros. É idealizador e editor-chefe do site de tecnologia Zumo, que está hospedado no portal UOL.


 

Aguarde!

Seu comentário está sendo enviado.

Enviando...
Fechar

Comentário enviado!

Seu comentário passará por
moderação antes de entrar no blog.

Fechar

Erro durante o envio.

Por favor, tente novamente.

Fechar

Erro: Código incorreto.

Por favor, preencha o código do captcha corretamente.

 

Buscando usuário...

Enviando...

Fazendo Log out...

Log out...
Fechar

Usuário não encontrado.

 

Deixe o seu comentário

 



ou identifique-se através das redes:

OBS: É totalmente seguro inserir os dados das redes que você participa, assim como sua senha. A LG do Brasil não armazena essas informações em seu sistema.
1000

 



ou identifique-se através das redes:

OBS: É totalmente seguro inserir os dados das redes que você participa, assim como sua senha. A LG do Brasil não armazena essas informações em seu sistema.
1000



 
Fechar

Enviar a um amigo

1000
Mais:

Aguarde...

Seu comentário está sendo enviado.

Enviando...

E-mail enviado!

Seu email para foi enviado com sucesso.

Erro

Ocorreu um erro durante o envio. Por favor, tente novamente.