Varejistas avançam e já respondem por quase metade do Mercado Livre de Energia

Participação cresce quatro vezes desde 2024, impulsionada pela expansão do ambiente competitivo e pela proximidade da abertura total prevista em lei

Os consumidores varejistas de energia seguem ganhando espaço no Mercado Livre de Energia, setor que permite aos consumidores escolherem de quem comprar a eletricidade que consomem. Segundo a edição mais recente do Boletim da Energia Livre, da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), o número de unidades consumidoras varejistas quadruplicou desde janeiro de 2024, o que reflete uma mudança estrutural no perfil dos participantes do mercado elétrico brasileiro.

Em setembro de 2025, das 81.832 unidades consumidoras aptas a operar no ambiente livre, 37.281 atuavam na modalidade varejista, o equivalente a 46% do total. Há menos de dois anos, essa participação era de apenas 11%, um salto que acompanha o avanço regulatório e modelos de contratação mais flexíveis. O boletim usa dados divulgados por instituições oficiais e consultorias do setor e consolida a evolução mensal do segmento, hoje considerado um dos pilares da modernização do setor elétrico no país.

O que é o Mercado Livre de Energia

O Mercado Livre de Energia, também chamado de Ambiente de Contratação Livre (ACL), é o espaço onde os consumidores podem escolher livremente o fornecedor de energia elétrica. Diferente do mercado cativo, onde a compra é feita da distribuidora local. O ACL oferece liberdade para negociar preços, prazos, volumes, fontes de geração e condições contratuais.

A flexibilidade permite que consumidores busquem soluções mais competitivas, modelos customizados e produtos associados à sustentabilidade, como a contratação direta de energia renovável. No caso dos consumidores varejistas, o acesso ao mercado ocorre por meio de um agente especializado, que realiza todas as operações necessárias junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Quem são os consumidores varejistas

Os chamados consumidores varejistas são clientes representados por um agente varejista, que pode ser um comercializador ou um gerador de energia. Esse agente atua como intermediário entre o consumidor e a CCEE, assumindo desde a compra de energia para atender às necessidades do cliente até a gestão de obrigações legais, como contribuições, impostos e garantias financeiras.

Essa modalidade ganha espaço principalmente entre pequenas e médias empresas que desejam usufruir dos benefícios do mercado livre, mas não possuem estrutura técnica ou administrativa para lidar com os requisitos operacionais do ambiente competitivo. O agente varejista facilita o acesso, reduz a burocracia e oferece produtos customizados, muitas vezes combinando segurança contratual com preços mais atrativos.

Papel estratégico dos agentes varejistas na abertura total

De acordo com a Abraceel, a tendência é que a presença dos agentes varejistas se fortaleça ainda mais nos próximos anos. Isso porque a Lei 15.269/2025 estabeleceu o cronograma para a abertura total do mercado elétrico, e prevê que todos os consumidores poderão escolher seu fornecedor de energia no prazo máximo de 36 meses.

Com isso, a expectativa é que milhões de consumidores de baixa tensão, incluindo residências e pequenos negócios, passem a acessar o Mercado Livre de Energia, ampliando a demanda por agentes capazes de simplificar a jornada de migração.